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Estudei e me formei na PUCSP (76–81) num período em que as lutas políticas estudantis começavam a declinar – mas ainda havia um forte ambiente de busca por mudanças estruturais nas formas políticas e sociais no Brasil e no mundo. Minha 1ª opção de atuação foi pela educação de crianças segundo os modelos piagetianos em interface com os modelos psicanalíticos de desenvolvimento da afetividade – a gente buscava formar crianças livres e responsáveis a partir de uma relação de respeito e cultivo das inteligências e habilidades de relação humana presentes nos padrões de desenvolvimento que fazíamos questão de estudar e pesquisar.

O que primeiro me encantou nesta abordagem foi a afirmação de que a criança é ativa no seu processo de desenvolvimento e aprendizagem. O desafio era reconhecer as leis e passos do seu desenvolvimento, e propiciar vínculos e ambiente capazes de alimentar sua inteligência e interatividade. Foi neste lugar que descobri o valor da experiência como a grande fonte para maturar nossa herança, tanto biológica como social. A principal riqueza da infância é o brincar, a verdadeira aprendizagem se organiza num ambiente que permita o jogo, estimule a ação, a expressão a criatividade, as trocas afetivas e a socialização, nas interações criança- criança, criança – adulto. Paralelamente, desenvolvi uma formação corporal desenvolvida com professores do movimento como J.C. Viola e Maria Duschenez.

Foi assim que eu comecei a me interessar pelo corpo como lugar da experiência. No final da faculdade, estava atuando com orientadora. Como orientadora, fui levada a atuar cada vez mais diretamente com o mundo adulto. Daí nasceu minha clínica.

A passagem para a Clínica

Durante minha formação acadêmica me interessei por várias psicanálises: Freud, Winnicott e Jung. Busquei intensamente a discussão com os modelos de homem – minha escolha se pautou pelos modelos que possibilitassem enxergar o ser humano a partir de seu potencial criador e como sujeito do seu processo, e que dessem continuidade á prática de organizar presença viva em suas múltiplas dimensões, em oposição a focar-se exclusivamente no diálogo com o discurso verbal. Minha busca era por um espaço terapêutico onde as pessoas pudessem ser ativas em relação às suas necessidades e aspirações, e tivessem acesso a um “ser e fazer” na relação com sua experiência de vida e seus ambientes.

Fmascara-ceramica2oi na abordagem junguiana que encontrei as primeiras formas de integrar à clínica minha experiência com as crianças: a importância do corpo, da criatividade e da auto expressão no processo de alimentar o potencial humano. Apoiei-me na abordagem corporal de Sandor Petho, aliadas vivência do processo terapêutico e supervisão com analistas da Sociedade Junguiana de Psicologia Analítica. A partir da abordagem simbólica e corporal junguiana, encontrar a integração da pessoa como o sujeito do seu processo, incentivando a auto-expressão através de diferentes linguagens: o desenho, a modelagem, a experiência musical, o trabalho com miniaturas… diferentes materiais como ferramentas da clínica. A convivência com psicoterapeutas da Antroposofia me aproximou da terapia artística e do trabalho biográfico.

Em 1994 fui para o Agora Centro de Estudos Neo Reichianos, onde estudei com Regina Favre, Eliane Zink, André Gaiarsa, tendo contato com as referências práticas e teóricas da Bioenergética, Biossíntese e a Educação Somática Existencial e Regina Favre.

Na mesma época, com Theda Basso, tive o treinamento na Dinâmica Energética do Psiquismo.

Fmiolo-da-arvore2oi no encontro com Regina Favre e no trabalho de Stanley Keleman que encontrei uma ressonância maior para reunir os elementos de minha trajetória na clínica.

  • a aproximação com as práticas orientais e contemplativas que integravam movimento, sentimento e imagem, volição e não volição na ação contemplativa mas se detinham nos mitos coletivos não contemplando, assim, a necessidade contemporânea de produção e sustentação das singularidades (singularidades, não individualismos).
  • a discussão com a ênfase exagerada na sexualidade como estruturante da subjetividade e o encontro com a visão de Deleuze – Guattarri da produção da subjetividade contemporânea
  • Encontro com um novo modelo de relação corpo-mente, inteligência e afetividade, e uma nova tecnologia ao mesmo tempo contemplativa e ativa para o desenvolvimento do indivíduo como sujeito do seu processo de vir-a-ser.
  • E a volta para a interface educação-clínica

Mlisiantus3inha clínica de adultos tem sido um espaço privilegiado para acompanhar os desenvolvimentos e vicissitudes da subjetividade contemporânea, e dela que retiro os principais elementos da minha atividade nas organizações.

Nos últimos dez anos, tenho prestado serviços em projetos de saúde e desenvolvimento humano em empresas, como o Projeto Intervalo, e consultorias para equipes de trabalho em empresas e instituições, como a consultoria desenvolvida para as ONGs Commune e Mestres da Obra, com foco na inteligência coletiva.

Atualmente desenvolvo um trabalho terapêutico em grupo voltado para o emagrecimento sustentável, além da psicoterapia individual, workshops consultorias, cursos e palestras sobre a psicologia formativa.

Sandra Taiar