mentalNos últimos dez anos, tenho prestado serviços em projetos para a saúde e qualidade de vida com o Projeto Intervalo, e consultorias para equipes de trabalho com o projeto Rede Humana com foco no fortalecimento das relações humanas e da inteligência coletiva.

Venho atendendo a equipes com formação de nível médio e superior, diretorias ou equipes técnicas atuando em empresas públicas, privadas em ONGs e OSCIPs.

Desafios para as pessoas e organizações no mundo do trabalho

Os ritmos intensos de produção e a forte pressão por resultados geram pressão para “crescer”. A que custo? Desafio ou distress?

As políticas institucionais, com suas metas competitivas, muito freqüentemente se chocam com as necessidades de evoluir e amadurecer das pessoas, das equipes e das próprias organizações.

As pressões acumuladas e o ritmo vertiginoso do mundo produtivo congelam valores e atitudes, geram comportamentos automáticos, formas de agir repetitivas que empobrecem o cotidiano e comprometem a ação, a responsabilidade, o crescimento e a saúde das pessoas e das organizações. Isso entra em contradição com as metas colocadas por essas mesmas pressões, que exigem o tempo todo inteligência, flexibilidade, iniciativa e criatividade para dar respostas rápidas e eficientes ao mercado.

PRESSÃO E STRESS: GANHOS E PERDAS para a saúde e o desempenho

A pressão do ambiente, quando tolerável, gera DESAFIO: aprendizagem, adaptabilidade e capacidade de evoluir, produzindo ganhos para as pessoas, equipes e a organização.

Quando excessiva, gera STRESS DISFUNCIONAL: comportamentos automáticos que comprometem a ação, o crescimento e a saúde das pessoas e das organizações.

“O coração da experiência de todos é: como eu tenho urgência de agir e como eu tenho ou não tenho instrumentos ou experiência para agir — isto é essencial na natureza do dilema humano”. Stanley Keleman — 1995

Para mim, antes de mais nada, o trabalho junto a equipes e pessoas nas organizações busca o amadurecimento das formas adultas no ambiente de trabalho, construindo ecologias físicas, afetivas e sociais de acordo com uma ética de desalienação e de valorização da vida
Como reconhecer e cuidar das formas estagnadas de percepção, ação e relação no próprio ambiente de trabalho?

Case: Amadurecimento de uma equipe em situação de stress

Situação: Em dado momento uma equipe entra em conflito, fica dividida e adoece diante de pressões excessivas por melhores resultados e performance.

A principal tarefa desse trabalho é organizar um espaço coletivo para converter o vivido em experiência e saber – isto é: construir ambientes capazes de alimentar sua inteligência coletiva, cultivando sua capacidade de aprender, relacionar-se e mudar a partir dos acontecimentos presentes.

OBJETIVOS


“A base fundamental da inteligência coletiva se constitui no reconhecimento e no enriquecimento mútuos das pessoas, considerando a multiplicidade de sua história, seus conhecimentos e capacidades. Ela cria a perspectiva de um laço social construtivo e cooperativo, onde cada um, embora não saiba tudo, pode colaborar com aquilo que sabe” ( Arthur Hippólito de Moura, 2001).

  1. Reorganrede bonecos coloridosizar os limites ,fronteiras, membrana grupal, reconhecendo o jogo de pressões internas , externas e as condições da sua estrutura para responder aos desafios no ambiente produtivo.
  2. Construir no grupo canais de pertinência e participação
  3. Criar um grupo-ambiente, onde se possa gerar compartilhamento e criação de saberes, atitudes e práticas.
  4. Organizar vinculação grupal propiciadora de aprendizagem através da experiência.]

PAPÉIS FORMATIVOS

“Ser formativo é corporificar, usar, configurar sua experiência “ (SK Corporificando)

  1. O consultor se coloca como matriz vincular – a partir da relação vincular comigo vai sendo possível tecer uma relação vincular que gera rede vincular
  2. Instalar uma cultura de pausar, pulsar de volta para si mesmo. Sair do automático da produção, reconhecer o corpo como lugar da experiência.
  3. Fortalecer e criar canais de comunicação, formas de inclusão de cada pessoa com sua aptidão criativa, sua educação e motivações.
  4. Ensinar a desenvolver diálogo pessoal com as situações críticas de trabalho criando língua para poder falar das dificuldades, reconhecê-las no dia a dia e praticar lidar com elas.
  5. Ensinar a reconhecer modos de funcionar no ambiente para poder refletir sobre si e sobre a situação de trabalho
    Como a profissional lida, funciona, responde a essas situações?
    • Como o profissional diferencia e seleciona formas estagnadas, isoladas, disfuncionais, das formas mais potentes, viabilizadoras de ação eficaz para si e para o trabalho?
    • Reconhecer e reorganizar os modos de controle pessoal e intersubjetivo.

“Cada forma organizada e desorganizada provoca respostas que começam a estabelecer uma camada separada de organização. Então, cada forma tem que receber aquilo que produziu e aceitar a forma que foi produzida. (SK97)

cerebro sideral(1)ESTRATÉGIA
Transformando o vivido em experiência e saber

A METODOLOGIA DO COMO, A PRÁTICA DE CORPAR E A PRÁTICA DE CARTOGRAFAR

“O córtex volitivamente faz um fora. Isso permite ao que está dentro crescer . O corpo faz uma forma para ele mesmo crescer, para reconhecer e suportar o que está crescendo. Há ssim uma relaçaõ entre o que existe e o que é capaz de existir “ (Sk 97)

Perguntar-se pelo COMO, cartografando e corporificando a experiência, abriu no ambiente de trabalho um espaço para a investigação e a aprendizagem, criando um campo comum de experiências e linguagem para prosseguir aprofundando o trabalho e o convívio

A PRÁTICA DE CARTOGRAFAR

Cartografar é a maneira de focalizar os acontecimentos significativos para o grupo… Navegamos o fluxo dos acontecimentos, utilizando diferentes tipos de “mapas”, descrições, reconhecendo linhas de força significativas no grupo: acontecimentos da vida pessoal, situações dentro da equipe, discussões técnicas, situações interpessoais, formas de comunicação, formas de participação e pertinência, formas de negociação e luta.

A PRÁTICA DE CORPAR

A corporificação da experiência permite estabelecer distinções na forma que organizam múltiplas realidades bem como uma dimensão de profundidade.” (SK – 99)

incandescente2Abordar o corpo (presença) como o lugar da experiência permite explorar múltiplas dimensões e afetações em cada um e no grupo, é um exercício de coordenar múltiplas dimensões da experiência em si – estimula a mudança de ótica, de ponto de vista, pois continuamente o corpo é o estranho que comparece à reunião da equipe e muda o rumo da conversa.

Trabalhar a partir da presença corporificada é poder transitar em diferentes camadas da experiência: da imagem para a sensação, da sensação para o sentimento, do sentimento para a emoção, da ação para a reflexão, da imagem para gesto, da intenção para o ato, do “eu” para o “nós” – isso produz quebras e estranhamentos e gera capacidade de hesitar, perguntar, mudar o ponto de vista – traz à tona caos, confusão, conflito, mas também gera criação, participação, conexão, bom humor e poesia.

Este espaço de experimentação, auto – manejo e compartilhamento baseado na corporificação da experiência traz um reconhecimento de que somos um organismo que se auto produz, que aprende consigo mesmo, e que tem a capacidade de interferir na sua própria produção.

RESULTADOS E CONSIDERAÇÕES FINAIS
“Não existe aprendizagem sem constituição de comportamento ao mesmo tempo”
(Regina Favre98)

Criamos , ao longo de 6 meses de trabalho, diferentes instâncias de escuta e diálogo no grupo, organizando a membrana grupal, reconhecendo e formando as diferentes camadas da experiência e saberes, aumentando a inteligência coletiva, ampliando a capacidade produtiva de forma pessoal

Reconhecer-se e manejar-se frente às múltiplas afetações ensina a formar ligações em superfície e profundidade consigo mesmo e com o ambiente, ensina comunicação e conexão, estimula mudança e coordenação de diferentes pontos de vista.
Na medida em que reconheço as experiências como processos dos quais eu participo, elas passam a ser de minha responsabilidade e ao mesmo tempo eu ganho potência de criar e interferir.
A partir de ser capaz de influenciar-nos desta maneira, podemos então constituir uma rede de interações interpessoais que aprofundem o nosso corpo social. Com isso, torna-se possível ao grupo gerir suas crises e conflitos, melhorar sua performance e relacionamento, aumentar a potência de suas formas adultas e encontrar saídas criativas para seus impasses.

mao rede(1)O ideal mobilizador (…) hoje é a inteligência coletiva, ou seja, a valorização, a utilização ótima e a colocação em sinergia das competências, das imaginações e das energias intelectuais, qualquer que seja sua diversidade qualitativa e onde quer que elas se encontrem. Esse ideal da inteligência coletiva passa evidentemente pela disposição em comum da memória, da imaginação e da experiência, por uma prática cotidiana de troca de conhecimentos, por novas formas de organização e de coordenação flexíveis e em tempo real. (Pierre Lévy)